quarta-feira, 31 de agosto de 2011

No ar, Bom Dia Amigos!

Há quem diga que ele já faz parte do dia a dia, como se fosse da família. Ele, com apenas um bom dia entra sem pedir licença e permanece na sua casa. Quando você vê, ele está lá, todos os dias, há muitos anos. Um companheiro que vive do outro lado. Um amigo. Muitas vezes até um pai. Um dia sem ouvi-lo é como se fosse um dia sem sorrisos. Ele dá conselhos. Fala sobre horóscopo. Toca as suas músicas preferidas. E sempre tem uma palavra de afeto ou consolo na ponta da língua. Desde 1958 com um programa de variedades, ele se apresenta diariamente como Cilmar Machado dos Santos. Cilmar é radialista desde os 14 anos. Nascido em Garça em 28 de julho de 1941, Cilmar veio para Lins aos 6 anos de idade. Sem influência direta de comunicadores na família, Cilmar descobriu o seu talento muito cedo. Seu irmão e suas outras três irmãs não são da mesma área, mas sempre admiraram o trabalho dos radialistas. Desde muito jovem, andava por todos os lugares ajudando nas campanhas publicitárias em rádios, igrejas e na política. Foi então que começou a ficar conhecido e a trabalhar , em 1958, na rádio Clube de Lins. De lá para cá não parou mais.
Aos 69 anos, ele continua diariamente com o seu programa todas as manhãs, o Bom Dia Amigos! São oficialmente 53 anos de rádio. Já passou por todas as bodas existentes, até a rotulada, ouro. Sua vida se resume a essa paixão. Cilmar tem experiência e amor pelo o que faz. Trabalhando na rádio Clube, Cilmar dividia o seu tempo entre locutor e apresentador de shows pelo Brasil afora. "Era do Sul ao Nordeste", ele conta. Chegou a morar em São Paulo em 1964, onde trabalhou na rádio CBN como é conhecida atualmente com grandes personalidades. Silvio Santos, Hebe Camargo, Chacrinha e grandes nomes da música da época, eram alguns dos companheiros de trabalho. Mas Cilmar gosta mesmo do interior. Resolveu voltar e cursar serviço social. Terminando a faculdade e ainda trabalhando como locutor, ele decidiu que seu sonho virasse realidade: tornou-se proprietário de uma grande rádio na cidade que estava desativada: a rádio Piratininga. Em 1967, Cilmar juntamente com o seu irmão Sid, a compraram em sociedade. Em 1973, no mesmo ano em que se casou, a rádio Piratininga mudou de local e passou a se chamar rádio Alvorada. E permanece com esse nome até hoje. É a rádio do povo. A AM mais ouvida da cidade e da região. Nela, há vários programas onde os ouvintes participam e reclamam do que estão insatisfeitos: política, economia, esporte, amizade, até amor. Tem também o “troca-troca”, um espaço destinado à troca e venda de todos os tipos de objetos. Tem religião. Tem transmissão de jogos. Tem espaço também para você pedir o que gosta de ouvir.
Ser radialista é mais do que um talento e uma profissão. É uma vida. Cilmar nunca exerceu o curso que fez, mas garante que foi uma boa escolha. Cilmar é apaixonado pelas pessoas. Pela energia e emoção que elas passam para o próximo.
Pela força política da época e por uma pressão da sociedade em que convivia, Cilmar foi prefeito pelo antigo partido PL, de 1 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992. Conta que seu mandato não foi nada fácil. Havia muitos problemas para serem resolvidos e muita coisa para ser colocada em seu devido lugar. Antes de se tornar político, Cilmar fez parte de um grupo que conseguiu trazer escolas de ensino superior para Lins. Mas não pensava em algo tão grande. Em seu mandato, ele lembra da construção de centenas de casas em vários pontos da cidade e de novas escolas municipais, a inauguração da delegacia de Defesa da Mulher, e a criação do Conselho Municipal de Saúde foram os pontos mais importantes desses quatro anos no Poder Executivo.
Cilmar hoje é indiferente em relação à política. Depois de 1992 nunca mais se envolveu com isso. Foi uma boa experiência, porém única. Crê que as ideias precisam ser renovadas e não defende a reeleição de nenhum cargo político. "Há muita gente por ai com um bom trabalho político em mente, há espaço para todos", ele diz.
Seu destino sempre foi o rádio. Tinha certeza que não conseguiria ficar longe do mais antigo meio de comunicação. Hoje, ele fica pouco na rádio Alvorada. Seu filho Silmar Silva Santos formado em jornalismo, Jardel Silva Santos; advogado e Guilherme Silva Santos; administrador, tomam conta da parte burocrática da empresa da família. Silmar filho é radialista há 15 anos. Sua mãe, Sonia Silva Santos, 63 anos, aposentada e ex professora, passa os dias com Cilmar desfrutando o que a idade lhe oferece de amravilhoso. "Rádio, hoje é hobby; não penso em deixá-la, mas agora faço os meus horários". Sua vida é estável. Conquistou tudo com o trabalho que sempre foi gratificante. E está passando isso para os filhos. O filho Silmar, apresenta 3 programas na rádio: Rotativa no Ar, Matando Saudade e fofocas dentro do programa do pai. Está no sangue. Cilmar não desiste e não pensa em se aposentar. Pelo menos uma vez por dia ele precisa “dar uma passadinha por lá”, mesmo que não haja o programa. Tornou-se um vício, que cultivado virou paixão.
Cilmar deseja que as rádios, inclusive as AMs, continuem sobrevivendo no Brasil, mesmo que seja apenas de publicidade e de ouvintes fiéis. É amor verdadeiro que não vai morrer nunca, e nem sair de dentro do peito.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Conheça e deguste o trabalho da revista Café Espacial

Profissionais de Marília acreditam que projeto sem fins lucrativos possa levar informações e entretenimento de forma diferente

Em sua 9ª edição, a revista Café Espacial mostrou que veio para ficar. Circulando em Marília há algum tempo, o folhetim moderno, têm com formato dinâmico e inovador; parecida com um gibi, mas cheia de conteúdo onde podemos encontrar quadrinhos, entrevistas, música, teatro, contos, literatura, cinema e fotografia. Os assuntos são os mais variados. Com muita dedicação e vontade de misturar ideias, foi assim que teve início a publicação independente, em outubro de 2007.
A revista conseguiu uma boa aceitação e rápida divulgação na mídia, e os responsáveis pelo início de tudo foram Sergio Chaves e Lídia Basoli. Ela jornalista e professora na área de comunicação, amante do cinema e dos quadrinhos; sonhava em colocar tudo isso em prática. Ele, editor e roteirista, artista de mil e uma utilidades, têm sempre algo inovador em vista. No total são quase 15 profissionais, entre jornalistas, escritores, fotógrafos e grandes artistas premiados como Laudo Ferreira, DW, Jana Lauxen, Fábio Lyra, Ebbios, Berliac, Susa Monteiro, Viktor Sack, que colaboram sem nenhum tipo de lucro; apenas tentando divulgar o seu trabalho no Brasil e no exterior. Pessoas que dividiram um mesmo sonho e que juntos conseguiram a realidade.
Em 2010, em comemoração ao aniversário da revista, surgiu o Expresso Café Espacial. Um informativo gratuito da Café Espacial, que complementa o trabalho realizado da revista impressa. O cardápio é praticamente semelhante, porém em forma de um pequeno jornal.
O trabalho da equipe é comercializado em várias cidades do Brasil, entre elas, Curitiba, Londrina, São Paulo, Teresópolis, Recife e até em uma galeria em Portugal. Quem tiver interesse em adquirir as edições, é só procurar nos pontos de venda ou comprar pelo site da Café!
Algumas seções que já foram publicadas e que ainda são um sucesso: Café literário (contos); Além do cinema; Mais uma dose (com estudos sobre os mais diversos aspectos culturais); Arte revelada (fotografias); e a Cafeína pura! (música, sempre com bandas entrevistadas e resenhas de materiais).
O trabalho do pessoal já foi premiado nacionalmente quatro vezes. Em 2008 foi indicada ao 20º Troféu HQMIX, Troféu Bigorna como melhor publicação independente; 2009: 21º Troféu HQMIX como melhor publicação independente de grupo de 2008, 5º Prêmio DB ARTES como melhor edição independente; 2010: 22º Troféu HQMIX como melhor publicação independente de grupo de 2009; 2011: Indicação ao 38º Festival International de La Banda Dessinée de Angoulême, na categoria ‘alternative’ – com a revista Café Espacial e com o informativo Expresso Café Espacial.
Apesar das dificuldades, por ser um projeto independente, a Café Espacial continua buscando um lugar ao sol e batalha para conseguir um espaço nacional do mercado editorial. Aprecie essa ideia cultural e passe adiante.

Acesse e conheça o trabalho do pessoal:

http://cafeespacial.wordpress.com/

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ANS amplia cobertura dos planos de saúde

A partir de 1º de janeiro de 2012, os planos de saúde serão obrigados a oferecer a cobertura de mais 60 procedimentos médicos. A nova lista de serviços foi publicada dia 2 no Diário Oficial da União, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Entre os novos serviços estão 41 cirurgias por vídeo (uso de câmeras especiais), como para redução de estômago. Esses procedimentos são menos invasivos do que as operações convencionais. Outras novidades são a ressonância magnética para pessoas com câncer, o tratamento de doença ocular com aplicação de injeções, e o uso de medicamentos especiais em casos de artrite reumatóide, assim como novas tecnologias para o tratamento de portadores de câncer de colo retal com metástase. O rol de serviços beneficia usuários de planos de saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999. A lista completa de procedimentos pode ser acessada no site da ANS.

Concurso para médicos

Já estão abertas as inscrições para o concurso público do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, com oferta de 142 vagas para trabalhar na capital e no interior paulista. O prazo encerra-se em 23 de setembro, e o cadastramento deverá ser feito no site www.vunesp.com.br. A taxa é de R$ 68,00.
As oportunidades na capital são para 52 opções, entre elas psiquiatria (14 vagas), clínica médica (oito), alergia (cinco), assistência domiciliar (quatro), dermatologia (quatro), pediatria (quatro), neurologia clínica (quatro) e medicina física e reabilitação (quatro). Os vencimentos são de R$ 1.909,25 para uma jornada de trabalho de 20 horas semanais.
Quem deseja se inscrever para as vagas no interior pode escolher entre Araçatuba (uma vaga), Araraquara (uma), Assis (duas), Bauru (duas), Campinas (quatro), Franca (uma), Marília (uma), Piracicaba (uma), Presidente Prudente (duas), Ribeirão Preto (duas), Santos (uma), São João da Boa Vista (uma), São José do Rio Preto (uma), São José dos Campos (três), Sorocaba (quatro) e Taubaté (uma). Os salários e a jornada de trabalho são os mesmos das especialidades da capital.
A aplicação da prova está prevista para o dia 6 de novembro, na cidade onde é oferecida a vaga de opção do candidato.

Paixão no fio da navalha

Todos o conhecem na cidade. Rua Floriano Peixoto, 679. Barbeiro no mesmo ponto há 53 anos, Ary Lopes de Oliveira, Ary Barbeiro, como ele é conhecido por ser um torcedor das antigas do Linense, e por ter sua barbearia como um verdadeiro museu de fotos antigas. O clube Atlético Linense e o Palmeiras são duas de suas eternas paixões. Ary tem hoje 81 anos e frequenta os jogos desde os 8 anos. Nascido em 7 de março de 1930, Ary é uma referência na cidade quando o assunto é o time. Já ficou famoso aparecendo na tv. Deu entrevistas a jornais e rádios da região. Mas não perde a humildade. Recebe a todos com muita atenção e não se cansa de contar a mesma história, mas sempre com um novo detalhe por ele esquecido. Seguindo a profissão do pai barbeiro, Antonio Muniz de Oliveira, Ary e mais três dos sete irmãos, se tornaram barbeiros. Chegaram a trabalhar juntos, mas depois se separaram. Cada um montou sua própria barbearia. Um morreu, o outro deixou a profissão e hoje, só Ary permanece com a tesoura afiada. Ary atende cerca de 10 pessoas por dia por dia, entre cabelo, barba e bigode. Não tem do que reclamar. Lembra que começou a cortar cabelos quando tinha 7 anos de idade, em 1937. Garante que todos os dias o movimento é bom, mas que no sábado a procura é maior. Seus clientes são fiéis, o mais velho freqüenta sua barbearia há mais de 46 anos. Pergunto por que a barbearia ainda tem a estrutura, os objetos de trabalho e a decoração antiga. Tudo muito retrô. Secador. Assentos. Pôsteres. Balcão. Armarinho. Mesinha. Cadeira giratória. Ary diz que não venderia tudo aquilo por preço algum. Já houve algumas ofertas, mas nada que substituísse o valor simbólico que os objetos possuem em sua vida. Tudo ali tem mais de 70 anos. Menos a tesoura, pois Ary abandonou a navalha, por ter se adaptado melhor com a tesoura. Acha navalha coisa de gente fresca. Não gosta. E garante que o resultado com a tesoura fica bem melhor.
Rapidamente sou interrompida por um cliente. Ary o atende e conversa comigo. Depois surge apenas um conhecido que entra, lê os curiosos pôsteres na parede e vai embora lhe desejando um ótimo dia. Qual será o mistério de tanta sabedoria e simpatia?
Há quem passe por ali toda a semana, para cortar o cabelo, fazer a barba ou apenas para falar um bom dia ou boa tarde. Há quem já passou e não voltou mais. Mas há quem freqüente e quem não troque Ary por barbeiro algum. Já passaram por ali ex-prefeitos, deputados e grandes amigos que já partiram. Ary tem saudade. Lembra que todos os anos de sua vida foram ótimos. Há também quem fale de política, de mulher bonita ou apenas uma conversa sem começo e nem fim. Há quem divida segredos, fale de dor e peça ajuda. Há quem fale de perdas e saudade. Há também quem fale mal de alguém. Ali há lugar para todos os assuntos e para todas as pessoas. Ary trata a todos igualmente, sem nenhuma diferença. Considera-se grande amigo dos clientes; muitos deles convivem com Ary há mais de 50 anos.
Quando você pisa na barbearia a foto que chama a atenção, é Ary, em cima de um elefante, em 1965. Ary tem quase a mesma idade do Clube, fundado em 1927, hoje com 84 anos. Ary se orgulha em falar do time que tanto lhe trouxe histórias e boas lembranças. Desde pequeno morava perto do antigo Estádio de Eucaliptos ou Gigante de Madeira, e comparecia a todos os jogos com os irmãos. Esteve presente em 1962 quando foi inaugurado o Estádio Gilberto Siqueira Lopes, nome em homenagem a um ex-prefeito, advogado e seu amigo pessoal. Ary lembra que a estreia foi com o jogo que o Clube Atlético Linense perdeu de 2 x 4 para o Botafogo Futebol Clube. O "Gilbertão", como ficou conhecido, tem capacidade para 15 mil torcedores e o barbeiro conta nos dedos os jogos que deixou de ir ao Estádio.
Ary fala novamente da história do Elefante da Noroeste. O clube ficou conhecido pelo mascote após se tornar símbolo do time. O título de elefante se deve a uma comparação ingênua do Linense com o animal, que vai devagar, mas sempre chega longe. Em 25 de julho de 1965 após um concurso para eleger os corneteiros do clube (o prêmio seria uma volta no Estádio em cima dos elefantes que o Circo Garcia disponibilizou); Ary, após a votação unânime, venceu com 45 mil votos e ganhou a volta olímpica em um dia de jogo clássico (Linense x Tanabi), e mais 10 mil cruzeiros. Garante que foi a maior falação do ano na época. Ary lembra também de grandes jogos mostrando os pôsteres do time colados nas paredes, como o confronto em 1953, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O Clube Atlético Linense venceu a Ferroviária por 3x0, tornando-se Campeão Paulista da A2. O jogo em 1977, em histórica partida, consagrou o time como Campeão Paulista A3, derrotando o Votuporanguense por 1 x 0. Ary não se esquece de falar da vitória do Linense que garantiu a primeira divisão em 2011. Além de ter orgulho do time, Ary tem orgulho de ser Linense, mesmo tendo as origens de Avanhandava.
Fora dali Ary é como qualquer outra pessoa. Não esconde e diz que não é segredo pra ninguém a sua “passadinha” diária no bar. Pára e senta para tomar sua cerveja onde encontra amigos. Em qualquer lugar ele se sente em casa; desde que esteja bem acompanhado. Conta-me que não deixa de trabalhar um dia, exceto aos domingos. Há três anos atrás, Ary ficou 110 dias afastado por um problema na coluna. Doía demais. Estava quase sem andar. Ary achou que não iria agüentar de saudade do trabalho nesse tempo. A operação corrigiu o problema e Ary está melhor do que nunca. De camisa quase sempre branca, óculos e vários cabelos brancos, Ary não pensa em sair dali. Só se o destino o der uma prova sem múltipla escolha. O ponto da barbearia nunca pertenceu a ele. O dono nunca quis vender, mas também nunca deixou de alugar para o barbeiro. Nenhuma proposta conseguiu tira-lo dali. E ele permanece até hoje. Talvez se tivesse mudado de local não teria dado certo a sua profissão e o seu reconhecimento.
Autêntico e paciente, Ary também é aposentado, pois como todo brasileiro precisa ter um salário extra. Pai de duas filhas, Regina e Denise; uma estilista e outra analista contábil, Ary fica feliz por uma filha morar perto. Com isso, ele tem mais tempo para se dedicar a sua única neta. É assim que Ary divide o seu tempo. Alice Oliveira, sua mulher, não tem queixas de Ary. Com 76 anos, garante que ele é um bom marido, bom pai e bom avô. E não esquece de falar o fiel torcedor que é. Mas não fica enciumada por dividir seu tempo com o time e a barbearia. Seu pai sempre foi ferroviário e sua mãe nunca teve queixas pelo tempo ausente. Alice também não tem. É preciso nessa idade saber tirar o máximo de proveito do tempo, diz a Ary. O corpo e a cabeça agradecem a eles.
Ele não me deixa esquecer do Palmeiras. Sempre que podia, comparecia aos jogos do Palmeiras no estado de São Paulo. Considera o goleiro Marcos o seu herói. Muitas conquistas do time se devem ao seu brilhante desenvolvimento e talento. Lembra que a vitória de 1959 foi uma das mais emocionantes já vistas por ele. Mostrando um vinil que tem a narração dessa conquista, Ary lamenta por não estar presente naquele dia.
Divide o seu tempo livre na barbearia lendo jornais, vendo TV, cumprimentando a todos que passam na calçada e lendo romances espíritas. Gosta de ler. De tentar compreender além do que acontece nos seus olhos. Ary é assinante do clube do livro e garante que é apaixonado por esses contos espirituais.
Despeço-me e ele permanece pensativo, tentando lembrar de algum detalhe ou algum pedaço de sua história que não foi contado. Promete me contar se conseguir recordar de algo que não pode ser jamais esquecido. Agradeço. Sorrio. E parto com a certeza que o meu orgulho só cresce em conhecer histórias como a de Ary. Autênticas e únicas.

domingo, 28 de agosto de 2011

Lins tem 26 novos casos de HIV de janeiro a julho

Pacientes da região tratados no município entram nas estatísticas

Dados do NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) e da secretaria de Saúde de Lins registraram este ano, até o final de julho, 26 casos de pacientes infectados com HIV. São 23 homens (sendo 11 do presídio de Getulina) e três mulheres. Atualmente, estão em tratamento na unidade 186 pessoas, incluindo quatro crianças e duas gestantes. Segundo a enfermeira do NGA responsável pelo setor de DST/AIDS, Alessandra Medrado, o município registra, desde 1992, 580 casos (incluídos os óbitos): 163 mulheres e 417 homens.
Em 2009, foram notificados 27 casos positivos: 20 homens (cinco deles presidiários de Getulina) e sete mulheres. No ano de 2010, computados 37 soropositivos: 27 homens (seis do presídio) e dez mulheres -- todos eles estão em tratamento.
“A maior incidência de contaminados está na faixa etária entre 24 a 49 anos. O ato sexual é o responsável pelo maior número de contaminações, que se devem à falta de prevenção adequada. Os postos de saúde oferecem preservativos, mas há uma necessidade de o município esclarecer e alertar a população a respeito da prevenção da doença, pois ela vem crescendo a cada semestre”, explica Alessandra.
De acordo com a diretora de Vigilância Epidemiológica de Lins, Carmem Lúcia Budoia, as ações educativas do município são apresentadas às escolas municipais e estaduais, e também nas empresas. Há uma maior atenção para os jovens e para as grandes campanhas, como Carnaval, Dia da Mulher, campanha Fique Sabendo e o Dia Mundial de Combate à Aids, realizado em 1º de dezembro. As orientações são feitas com palestras por agentes habilitados da secretaria de Saúde, por cartilhas e panfletagem.
O procedimento padrão de atendimento é feito nas UBS (Unidades Básicas de Saúde). O paciente passa pela consulta médica, realiza o exame Elisa e, em muitos casos, também o de imunofluorescência, de forma a não haver dúvidas quanto ao resultado. O resultado chega em aproximadamente 20 dias e, quando positivo, é encaminhado para o NGA para o devido tratamento, que é disponível e gratuito. O paciente começa então a ser acompanhado pela unidade, e faz tratamento mensal. “Tomar os remédios conforme as indicações é fundamental para ter sucesso no tratamento e para controlar o avanço do HIV no organismo. A qualidade de vida de um portador aumentou muito, quando o caso é tratado corretamente e acompanhado pelo médico”, diz a enfermeira.
Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente o coquetel antiaids para todos que necessitam do tratamento. Segundo dados do ministério da Saúde, cerca de 200 mil pessoas recebem regularmente os remédios para tratar a doença. O vírus é transmitido pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas, ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações. Os exames são feitos sob sigilo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Para sempre Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Loureiro de Abreu, gaúcho, jornalista, escritor, ator, astrólogo, dramaturgo, garçom, lavador de pratos, modelo fotográfico, faxineiro e poderia ter sido muito mais. Caio foi um dos contistas mais admirados da literatura brasileira nos últimos tempos e suas obras são lembradas cada vez mais. Nasceu em Santiago (RS), em 1948, e ainda muito novo se mudou para Porto Alegre, onde começou a se interessar pela escrita. Tentou cursar Letras, mas abandonou para ser jornalista. Junto a grandes nomes, escreveu em cadernos como Nova, Manchete, Veja, Pop, Zero Hora e Estado de São Paulo.
Seus textos são admirados pela polêmica, pelos sentimentos extravagantes e marcados por uma linguagem franca e delicada. São na maioria contos, e alguns romances, nos quais ele explora intimamente o psicológico dos personagens.
Considero o seu trabalho como dom, sina; um talento que nasceu com ele, o mesmo que nos encanta até hoje. Caio expõe seus dramas, suas buscas, a solidão que lhe acompanha quase sempre, suas insatisfações, desilusões pessoais e muitos textos que revelam a sua opção sexual.
Caio se mudou várias vezes para a Europa. Queria deixar tudo para trás. Morou longos anos fora: no Rio e em São Paulo, mas nunca esquecendo de Porto Alegre, onde sempre que podia, estava por lá.
No fim, voltou a viver com seus pais. Nesse tempo, arrumou mais uma profissão: a de jardineiro. Passou o resto dos seus dias cuidando do jardim e das roseiras da casa, quando descobriu ser portador do HIV. Foi internado no Hospital Menino Deus, em Porto Alegre, onde faleceu em fevereiro de 1996.
Sem dúvida, Caio deixou um grande vazio a todos os apreciadores do seu trabalho. Sua morte nos deixou tão a sós que nenhuma biografia conseguiria descrevê-lo. Caio não cabia em uma vida. Seus textos o deixam vivo, jovem e eterno, como ele sempre desejou.
Algumas obras do autor: Inventário do Irremediável; Limite Branco; O Ovo Apunhalado; Pedras de Calcutá; Morangos Mofados; Triângulo das Águas;
As Frangas; Os Dragões não conhecem o Paraíso; Onde Andará Dulce Veiga?

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Quais cores essa vida têm?

“Eu pinto para o mundo me ver”. Essa foi a primeira frase que ele disse, quando me viu chegando ao Lar Vicentino em Lins, onde mora há mais de dois anos. Olhos serenos. Sorriso largo. Educação comparada a de qualquer pessoa com pós-graduação, mas sem nenhum aprendizado educacional na vida. Esta é a história de um homem que vê além das dificuldades que a vida colocou em seu caminho.
Vicente Campos (foto) teve sua infância em sítios da região de Lins, antes de se mudar para a cidade. Perambulou por todos os cantos desde pequeno, com um sonho: de um dia ser pintor. Aos quatro anos, Vicente já rabiscava o chão com carvão, sem saber que hoje, aos 68 anos seria um artista reconhecido por retratar com o coração a arte Naif. A arte descobriu Vicente e Vicente se entregou a ela.
Filho de Dona Luzia da Conceição Campos, que mais tarde sofreria um derrame, foi recebida no Lar em setembro de 2003 e ficou ali até o os seus últimos dias, com um pouco mais de 85 anos. Esse foi o motivo de Vicente entrar para a entidade: a saudade, o cuidado e o carinho pela mãe. Filho de pai falecido em conseqüência de chagas, e irmão de mais cinco, que já passaram por essa vida. Vicente sem deixar de fixar seus olhos nos meus, conta que a sua deficiência na fala, provêm de um tropeço no arreio do cavalo quando mais jovem. Discriminado e apedrejado na escola, não conseguiu completar o ensino fundamental. E sua vida foi uma sucessão de tragédias. Aos 20 anos, contraiu hanseníase, que o fez perder dois dedos de um dos pés e sofrer uma deformação na mão direita.
Mas Vicente cruzou a linha do preconceito e da superação. Ficou conhecido na cidade por retratar com carvão algumas imagens. Com ingenuidade e espontaneidade, sem saber que a arte Naif possui as mesmas características, Vicente conquistou o seu próprio mundo, onde ninguém mais duvida de sua capacidade.
Com uma vontade imensa de conhecer a praia e o horizonte, onde ele diz que não tem fim e que muda de cor quando olhamos fixamente, Vicente pinta o Rio de Janeiro e São Paulo. Pinta o aeroporto nunca visitado e a cachoeira que recorda quando era criança. Pinta lugares nunca vistos. Mundo a fora. Com poucos pincéis, tintas e telas doadas pela entidade, Vicente vai do Oiapoque ao Xuí com seus quadros. E desperta sentimentos ternos e verdadeiros. Nenhum sentimento inferior. Nada de pena ou dó. Vicente sempre recebe a todos com um sorriso de boas vindas. E fica feliz por estar se tornando uma “estrela”.
Vicente vê alguns lugares conhecidos, como o caminho que ele faz uma vez por semana ao passar pelas cidades vizinhas para fazer o tratamento da hanseníase. Vê pontes, fazendas, rios, mas nunca a doença que carrega há anos. Aproveita o passeio, que assim chama, para buscar inspiração. Encara a vida urbana retratando a correria do dia a dia, diferente do seu cotidiano. Muito verde, mas menos do que ele gostaria. Muitos amigos. No total são 44 e uma coragem sem tamanho de conhecer a vida lá fora. Quais seriam as cores que essa vida tem? O que Vicente enxergaria?
Em maio de 2010, Vicente ganhou pouco mais de 15 minutos de fama. Sua primeira exposição foi feita na cidade com 36 telas, que foram vendidas ao público. Vicente, conta que gostaria de ter seu próprio ateliê no centro da cidade, mas gostaria de continuar pintando no Lar, pois ali lhe traz paz e felicidade para a alma. Acredita que em breve entrará para um curso de pintura. Vicente agradece pelas ajudas recebidas. Emociona-se e sorri.
Paixão pela vida. Paixão pelas cores. Vicente revela a saudade que sente da mãe e da família. Diz que gostaria de ter entregue o quadro feito para ela. Mas a chuva o borrou em uma tarde cinzenta. Mas ele não se entristece. Sabe que fez tudo o que poderia ter feito ao seu lado. E crê que lá de cima, ela o abençoa e o ajuda a enfrentar as superações.
Vicente pinta com a alma. Essa é a sua arte. São de três a quatro quadros por dia. Vem tudo da imaginação. Pequenos gestos e nota dez no quesito criatividade. Seus dias são praticamente iguais no quarto em que divide com seu Durvalino Aguiar. Acorda cedo, toma café, almoça e janta. Faz fisioterapia alguns dias da semana, e informática todas as segundas. Participa diariamente das aulas de alfabetização. Lembra novamente das aulas. Está gostando. Agora ele lê, escreve. Mas a falta da família o faz ficar mudo. Sem visitas. Sem nenhum vínculo com o resto dos parentes, que ficaram espalhados no mundo. Sua vida agora é ali. Evangélico, uma vez por mês, Vicente participa dos cultos.
Seu Durvalino Aguiar, ex saqueiro me recebe com um cigarro de fumo e logo percebo que ele não é muito de falar e nem de trocar confidências com Vicente. Está sentado de frente para o jardim em um dos bancos da área de lazer. Seu Durvalino, 72 anos, é um dos moradores mais antigos. São 20 anos na isntituição. Assim como Vicente, não tem pai nem mãe, e as visitas dos filhos são breves e demoram muito a acontecer. Eles dividem o quarto, com duas camas, duas cômodas e uma janela que dá para o pátio ensolarado e para o jardim, que Seu Aguiar rega todos os dias. Na gaveta, Vicente tira o álbum de fotos que ganhou após a exposição. Guarda-o como se fosse um troféu. Lembra que foi um dos dias mais importantes de toda a sua vida e recorda de todos que estiveram presentes. Reconhece a ajuda que ganhou para que a exposição se tornasse realidade.
Vicente espera que agora seus sonhos se concretizem. O ateliê. A próxima exposição. O carinho de todos. As ajudas. O reconhecimento. Não pretende sair dali. Só quando Deus vier buscá-lo. “Não há vida melhor do que no asilo”, ele diz .
Naquela tarde, levei uma tela até ele e com um sorriso no rosto, ele disse que retrataria o seu mundo para mim. Prometi que mostraria o meu a ele - onde nem tudo é imaginação, mas que com certeza ficaria melhor com um toque de sensibilidade e sonhos que se tornam possíveis com criatividade.

Em um mês, AME de Promissão já atendeu 266 pacientes de Lins

Inaugurado em 18 de julho pelo governador Geraldo Alckmin, o Ambulatório de Especialidades Médicas se tornou a referência na saúde pública em Promissão.
Abrangendo 13 municípios da região e com capacidade de atender até 300 mil habitantes; em um mês de funcionamento, o AME já atendeu 266 usuários de Lins e realizou 59 exames; os mais procurados são o oftalmológico e o cardiológico.
Com mais de R$ 12 milhões investidos em equipamentos, o AME é a segunda maior unidade do estado e atenderá 24 especialidades: acupuntura, alergia e imunologia, cardiologia, cirurgia geral, cirurgia vascular, dermatologia, endocrinologia, endocrinologia digestiva, fisiatria, gastroenterologia, ginecologia, hematologia, infectologia, mastologia, nefrologia, neurologia, oftalmologia, ortopedia traumatologia, otorrinolaringologia, pneumotologia, proctologia, reumatologia e urologia. O local também têm ala administrativa, de atendimentos não médicos (enfermagem, fisioterapia, serviço social, psicologia e nutrição), salas para realização de exames e procedimentos, para tratamento médico, entre outros.
O AME atende sete especialidades; cardiologia, ortopedia, endocrinologia, vascular, dermatologia, oftalmologia e reumatologia. Em um ano, o número de consultas chegará a 8.950 por mês. E mais 5.901 exames; 150 pequenas cirurgias e 3144 consultas médicas. A unidade atende hoje, apenas 5% desse valor; atingirá a plenitude em um ano, com o número máximo de especialidades. Nesse mês, passa a atender também o Centro de Tratamento Renal Intensivo, com 22 máquinas de hemodiálise.
Segundo a secretária de Saúde, o serviço prestado pelo ambulatório hoje, era realizado em Lins (o NGA conta com ortopedia, endocrinologia, nutrição, cardiologia, otorrinolaringologia, vascular, ginecologia, urologia) e transferido para outras cidades, como Cafelândia e Bauru. “O paciente era atendido primeiramente na unidade básica de saúde ou no NGA; depois era transferido para outros municípios. A vinda do AME facilitou muito a vida dos usuários, por causa da menor distância”.
O procedimento de atendimento no ambulatório é realizado da seguinte maneira: após ser atendido e diagnosticado a necessidade de uma específica especialidade, a própria unidade básica (UBS) juntamente com a secretária de Saúde se encarrega de fazer a triagem das vagas e encaminhar para o atendimento em Promissão, que é feito geralmente em um prazo de 15 dias. O paciente passa a ser atendido pelo AME, que assume toda a responsabilidade de atendimento dali por diante. O próprio ambulatório transfere a população para outros hospitais da região; apenas quando a doença é crônica ou o diagnóstico já foi finalizado, o paciente deverá retornar para a unidade básica em que veio.
A secretaria de Saúde de Lins disponibiliza passes para a condução. “Não temos veículos suficientes para transportar todos os pacientes para o AME. A secretaria realiza todos os dias atendimentos em outras cidades mais distantes. Não há como deixar de realizar o procedimento diário. Apenas em casos especiais, os pacientes são levados. Seria preciso um número maior de ambulâncias para que todos pudessem ser transportados”, esclarece a secretária de Saúde.
Inicialmente o AME seria instalado em Lins, cidade maior do que Promissão, mas o prefeito Waldemar Sândoli Casadei não correspondeu e o estado decidiu instalar em outro município.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um novo conceito sobre festival de rock

Quando falamos em Rock in Rio, pensamos na sua primeira edição em 1985 e lembramos o que realmente foi um festival, seguindo ao pé da letra o tema: rock’n roll. Os dias de “heavy metal” aconteceram em plena transição da ditadura para a democracia, com um público de 1 milhão e 380 mil pessoas, onde ultrapassava todos os limites da época; promovendo a liberdade cultural e de expressão.
Artistas como AC-DC, All Jarreau, Iron Maiden, James Taylor, Nina Hagen, Ozzy Osbourne, Queen, Rod Stewart, Scorpions, White Snake, Barão Vermelho, Blitz, Eduardo Dusek, Erasmo Carlos, Lulu Santos, Ney Matogrosso, Paralamas do Sucesso, Pepeu Gomes e Rita Lee, conseguiram levar o público, na maioria metaleiros, à loucura!
Após dez anos de espera, eis que volta o tão famoso festival para a cidade que dá nome ao evento. Criado pelo empresário brasileiro Roberto Medina, o Rock in Rio acontecerá entre os dias 23 de setembro a 2 de outubro, e terá estilos bem diferentes, o que já causou muita polêmica na mídia. Criaram até um novo rótulo para o festival: Axé in Rio. Muitos artistas dividirão palco em algumas apresentações com Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Sharika e vários djs.
Lobão, em uma entrevista, relatou a sua insatisfação: “Vão abrir os portões do Rock in Rio e as pessoas vão dançar quadrilha porque não sabem mais o que é Rock and roll!”
Estão confirmadas atrações como Elton John, Katy Perry e Rihanna, Red Hot Chili Peppers, Snow Patrol, Stone Sour, Capital Inicial, NX Zero, Lenny Kravitz, Metallica, Motörhead, Coheed and Cambria, Slipknot e Glória, Coldplay, Skank e Frejat, Guns N' Roses, System of a Down, Evanescence, Pitty e Detonautas. Apesar de toda a polêmica, os convites já foram esgotados logo após a divulgação. Mas sem dúvida, para aqueles que não vão como eu (ufa!), a mídia divulgará em todos os veículos o evento. Em suas nove edições, sendo três no Brasil (1985, 1991 e 2001), quatro em Portugal (2004, 2006, 2008 e 2010) e duas na Espanha (2008 e 2010), o Rock in Rio, com o mote “Por um Mundo Melhor”, reuniu mais de 5 milhões de pessoas, que aplaudiram 656 bandas.
Pra quem tem menos de trinta anos fica difícil imaginar o que aconteceu em janeiro de 1985. Com uma sensação de nostalgia, ficaremos relembrando em outubro, como o ano de 1985, deixou marcada a vida de muitas pessoas que estiveram na Cidade do Rock. Muitos dizem que só dava pra acreditar na hora, na fila de entrada e com o ingresso na mão!